quarta-feira, 6 de junho de 2018

Matéria com Carlos Veras - presidente da CUT-PE


Companheiras e companheiros,
Apesar das tentativas das empresas transportadoras de obterem vantagens com a prática ilegal de lockout, reconhecemos que a manifestação dos caminhoneiros que vem parando o País nos últimos dias é justa e legítima. 
Mas, é necessário que as trabalhadoras e os trabalhadores que integram o movimento se posicionem demarcando os valores democráticos como esteio de suas reivindicações específicas relacionadas à luta geral por uma nação venturosa e que rechacem veementemente qualquer lampejo intervencionista de cunho militar e/ou afins. 
É imprescindível que denunciem para a sociedade o presidente golpista Michel Temer e o serviçal presidente da Petrobras Pedro Parente como os grandes responsáveis pelos preços abusivos dos combustíveis e pelo caos absoluto instalado no País.
Muito embora, o governo golpista tente transparecer que está buscando soluções resolver a questão por meio de pronunciamentos públicos patéticos, é explícito que as medidas anunciadas são paliativas já que a gestão entreguista da Petrobras adotou uma política de transferência compulsória e imediata dos aumentos internacionais para o mercado interno e de maximização dos preços dos derivados. 
O objetivo final é de remunerar os acionistas e colocar a empresa na vitrine das privatizações.
É insustentável a forma como o temoroso governo pretende negociar com os caminhoneiros, apresentando um acordo, que custará aos cofres da União, segundo estimativas do setor econômico, cerca de R$ 5 bilhões para garantir que os reajustes de preços do diesel sejam mensais e não diários, até o final deste ano. 
Não há dúvidas de que o custo fiscal dessa proposta, que incide sobre o PIS/Cofins, recairá fatalmente no bolso da classe trabalhadora, cada vez mais penalizada com a política ultraliberal fortemente marcada pelos retrocessos impostos ao desenvolvimento social e econômico do Brasil.
Não obstante as tentativas de manipulação política e midiática dessa paralisação dos transportes e suas repercussões, é flagrante a incompetência, o descrédito e a incapacidade desse desgoverno para dialogar com os movimentos sociais e sindical. 
A maior demonstração disso é a convocação da Força Nacional de Segurança Pública e o acionamento das polícias estaduais para reprimirem os manifestantes.
Tendo em vista o caos exposto acima, devemos continuar nas trincheiras de luta. 
Por isso, propomos aos sindicatos filiados à CUT que promovam encontros, debates e assembléias, considerando a real possibilidade somar-se à paralisação dos caminhoneiros com protestos, paralisações e greves em defesa dos direitos da classe trabalhadora e das liberdades democráticas. 
Não podemos permitir que corporações empresariais, setores conservadores e grupos de extrema direita se apropriem de nossas pautas para obtenção de vantagens econômicas e político-partidárias.
Sigamos firmes pela anulação da reformada trabalhista, contra a terceirização, em oposição ao congelamento dos investimentos sociais, em favor das eleições direitas, pela liberdade do presidente Lula e contra todos os demais retrocessos impostos pelo governo golpista ultraliberal. 
Só com muita luta construiremos uma nação justa, igualitária, soberana, com desenvolvimento e inclusão social.
Pelo direito de Lula ser candidato!
Pelo direito do povo votar livremente!
Por eleições livres e democráticas!
Lula Livre!

Carlos Veras
Presidente da CUT-PE
Recife, 27 de maio de 2018

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